preso

Carrega toda a culpa,
Gélido e abandonado,
Uma muralha à sua volta,
Frio e resguardado,
Ninguém trespassa,
Preso,
Trancado e acorrentado.

Um voto de confiança,
Meses passados,
Momentos infinitos,
Um sorriso rasgado,
Sela uma promessa.

Uma mão dada,
Mais uma corrente solta,
Mais uma porta destrancada.

Mais um voto de confiança,
Com sorriso típico de criança,
A muralha cai,
Finalmente a dor sai. 

cansei.

Cansei, antes magoava, mas eu cansei, antes importava, mas eu cansei, antes era tudo, mas eu cansei... Simplesmente cansei. Debati-me com dor e dúvida, debati-me com com amor e ódio, questionei as minhas próprias ideias... Mas cansei.
Fiquei com palavras entaladas, tanta coisa por dizer, mas mais vale ficar calada do que falar para sofrer.
E por tudo isso cansei, cansei de escrever e de sofrer, o que magoava agora irrita, e embora não consiga lembrar o que foi bom o que foi mau não dá para esquecer.

«caraphernelia»

O ano é novo mas a vida não,
Os meus sentidos adormeceram,
O tempo a passa-me por entre as mãos.
Sinto-me a navegar,
Sem rumo e sem luar,
Num simples mar de escuridão...
Não quis amar mas aconteceu,
Não quero odiar mas quem escolhe não sou eu.
Então navego pelo tempo escoado,
Pelo ressentimento mal curado,
Pelo o que quero e não sentir,
Sinto-me presa dentro de mim mesma,
Quero que acabe mas não posso fugir.